Meu olhar sustentava o horizonte, todo ele, com todos seus detalhes e pormenores. Era tanto, era muito, era pesado. Doía. Às vezes meus olhos caiam, quase piscavam, mas precisava daquilo, de todo o infinito. Meu corpo era vazio, de sentimentos, de alma, de amor. E cheio daquele horizonte, que me enchia de estafa, que me maltratava. Mas era tudo que tinha, tudo que dava a mim forma e matéria. Meus olhos oravam para que alguém os fechasse, deixassem enxergar por dentro, mas ninguém o fazia. Algum dia terei que levantar minhas mãos, e fecha-los eu mesma, não por eles, mas por mim. Ou talvez, eles sempre fiquem abertos. Sem piscar.
Fotos por Bárbara Fernandes, uma tarde de quarta-feira no campus do gragoatá.

